Seguidores

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

PADRES PARA O POVO DE DEUS - Artigo do Arcebispo de São Luis


Dom José Belisário da Silva *


Por ocasião da celebração do quarto centenário da chegada do Evangelho em terras maranhenses, o boletim “Notícias da Arquidiocese” publicou uma cartilha com nove temas ligados à história de nossa evangelização. Um desses temas se intitula “Padres para o Povo de Deus”.
A começar pelos quatro primeiros missionários que ehegaram nas naus francesas em 8 de setembro de 1612, muitos outros se seguiram. Devemos ser gratos a esses homens que, ao longo de nossa história, têm-se dedicado ao serviço do Povo de Deus. Fragilidades e falhas certamente aconteceram. Mas, aconteceram também gestos de fidelidade, de crescimento humano, de amor abnegado aos pobres e desprotegidos. Vultos como Antônio Vieira e Gabriel Malagrida, nos tempos mais remotos; Frederico Chaves, Ribamar Carvalho, João Mohana e Jocy Rodriges, em tempos mais recentes, engrandecem a história de qualquer presbitério.
Se olhamos para o passado, é para podermos viver melhor o tempo presente e podermos enfrentar com sucesso as questões que a atualidade nos propõe.
A vocação para o ministério ordenado, antes de tudo, é uma vocação humana e cristã. Vale dizer, é um caminho, entre tantos outros, para a realização pessoal e cristã. E, assim como não tem sentido uma vida egocentrada, voltada para si mesmo, ser padre não é um projeto individual. Mais ou menos isso foi o que Bento 16 disse a um grupo de padres e seminaristas que o visitavam: “Vocês são sacerdotes não para si mesmos, mas para o serviço do Povo de Deus”.
No próximo mês, serão ordenados mais dois padres para nossa arquidiocese. Temos que ser gratos a Deus que os chamou. Esse chamado, porém, cairia por terra se não fossem as mediações como a família, a paróquia, os seminários..., pois, se é verdade que a vocação é dom de Deus, é também uma tarefa humana.

Na celebração dos quatrocentos anos da chegada do Evangelho em nossa terra, peçamos ao Senhor que nos envie muitos e santos sacerdotes. De nossa parte, perseveremos no trabalho vocacional, acolhendo jovens de boas quallidades humanas em nossos seminários e aperfeiçoando sempre mais nossas instituições de formação de novos padres.

*Arcebispo de São Luís do Maranhão

terça-feira, 21 de agosto de 2012

TENTATIVA DE CALAR A IGREJA E OS ESTUDANTES


O assessor da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) padre José Ernanne Pinheiro declarou no dia 16 de agosto em sessão pública da Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Helder Câmara, no auditório daOrdem dos Advogados do Brasil (OAB-PE), que o assassinato do padre Henrique, em maio de 1969, foi uma tentativa da repressão de calar os dois segmentos mais atuantes da sociedade pernambucana naquele momento: a Igreja Católica e o movimento estudantil. Na época, o padre Ernanne era o vigário-geral da Arquidiocese de Olinda e Recife e acompanhou todos os ataques e a pressão sofrida por dom Helder e seus principais assessores e amigos.
A notícia é do Boletim da CNBB, 20-08-2012.

“A morte do padre Henrique era um ataque indireto a dom Helder. Além disso, Henrique cuidava da Pastoral da Juventude e tinha muita influência entre os estudantes, o que também incomodava. Não tenho nomes para acusar por esse fato, mas está claro que se tratou de um crime político”, avaliou padre Ernanne. Para o religioso, a Comissão da Verdade cumpre uma tarefa primordial dentro do processo de registro histórico brasileiro. “As próximas gerações precisam conhecer seus heróis. Esperamos que essa comissão, a nacional e as demais que estão surgindo nos outros Estados contribuam para isso”, frisou.

Em seu depoimento, padre Ernanne esclareceu que dentro da própria Igreja Católica existiam correntes adversas e que bispos e padres colaboraram com a repressão. “Em Pernambuco, sob o comando de dom Helder nos posicionamos ao lado da democracia e dos excluídos”, completou.

Para o advogado Pedro Eurico, relator do caso Padre Henrique na comissão, o depoimento reforçou o entendimento de que vários setores da sociedade pernambucana sujaram as mãos de sangue durante a ditadura. “Não era apenas a Polícia e as Forças Armadas que estavam na vanguarda desse movimento. Muitos civis se engajaram na repressão e se beneficiaram disso posteriormente”, concluiu.

O presidente da comissão, Fernando Coelho, afirmou que o depoimento trouxe elementos importantes para a investigação. “Ficamos honrados com a presença do padre Ernanne, pela clareza de suas ideias e pela contextualização do momento histórico que eles nos trouxe”.

Ferreira

A comissão resolveu adiar, do dia 23 para dia 30 deste mês, o depoimento do ex-major da PM de Pernambuco José Ferreira dos Anjos. Os integrantes da comissão querem mais tempo para se preparar para ouvir o ex-militar, considerado uma das fontes mais ricas sobre o período da ditadura no Estado. Ferreira foi recrutado dentro da PM pelo 4º Exército e atuou diretamente na repressão aos opositores do golpe militar de 1964. Sobre a importância das informações guardadas pelo ex-major, o advogado Humberto Vieira de Melo, membro da comissão, foi enfático. “Basta que ele repita o que nos disse na sessão reservada”, ressaltou.

MANIFESTO DOS POVOS DO XINGU A PRESIDENTE DA REPUBLICA


À Excelentíssima Srª Presidenta da República do Brasil
Dilma Roussef
CC: À Ministra da Cultura
Srª Ana Maria Buarque de Hollanda
CC: Ao Governador do Mato Grosso
Silval da Cunha Barbosa

Nós, as organizações e lideranças indígenas do Xingu, reunidas na cerimônia do Kuarup, em 18 de agosto de 2012, na Aldeia Yawalapíti, Território Indígena do Xingu (TIX), Mato Grosso, vimos manifestar nossa insatisfação diante dos seguintes atos de violação aos direitos indígenas: a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 215; o não-cumprimento da Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho, na realização de grandes projetos com impactos sobre terras indígenas, como Belo Monte; as modificações realizadas no Código Florestal; as propostas em tramitação para regulamentação das atividades de mineração em terras indígenas e a mais recente e grave Portaria nº 303 da Advocacia-Geral da União.

Sendo assim, os povos indígenas do Xingu reforçam as manifestações de outros movimentos indígenas do Brasil e exigem: a) imediata revogação da Portaria nº 303 da AGU; b) pleno cumprimento da Convenção nº 169 da OIT, com destaque para o direito de consulta livre, prévia e informada dos povos indígenas; c) ação enérgica do Governo Federal para garantir a proteção de Matas Ciliares e Áreas de Preservação Permanente (APPs), tendo em vista a crescente degradação das cabeceiras dos rios que atravessam e alimentam as terras indígenas.

No momento em que o Brasil se prepara para sediar um evento de caráter mundial, as Olimpíadas de 2016, o Governo Federal usa, como estratégia de marketing, a imagem de povos indígenas, especificamente xinguanos, o que contrasta com o crescente e assustador retrocesso de nossos direitos.

É urgente que o Estado brasileiro faça mais do que valorizar as culturas indígenas de forma simbólica. É preciso que, na prática, sejam garantidos a manutenção e o cumprimento dos direitos já conquistados. Esta, sim, seria uma manifestação verdadeira de respeito aos povos indígenas, algo de que o Brasil poderia se orgulhar de mostrar ao mundo.

 Assinam as organizações: Associação Terra Indígena Xingu (ATIX); Instituto de Pesquisa Etnoambiental do Xingu (IPEAX); Portal do Xingu; Associação Yawalapíti Awapá (AYA); Associação Tulukai Waurá; Associação Mavutsinim Kamayurá; Associação Indígena Kuikuro do Alto Xinzu (AIKAX); Associação Moygu Comunidade Ikpeng (AMCI); Associação Indígena Kisêdjê (AIK); Associação Uyaipiuku Mehinako; Associação Indígena Yarikayu Yudjá; Centro de Organização Kawaiwetê; Associação Aweti.

E os Povos indígenas do Xingu: Yawalapíti, Trumai, Ikpeng, Waurá, Kamayurá, Kuikuro, Kalapalo, Nahukwá, Matipu, Aweti, Mehinako, Yudjá, Kisêdjê, Kawaiwetê, Naruvutu, Tapayuna.