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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE


“Ide e fazei discípulos a todos os povos” (Mt 28,19). Com esta citação bíblica o Papa Bento XVI apresentou o lema da próxima Jornada Mundial da Juventude (JMJ) que acontecerá no Brasil e que terá seu momento alto em julho de 2013 no Rio de Janeiro. Este evento, criado por um Papa apaixonado pela juventude, João Paulo II, é de responsabilidade de toda a Igreja com todos os seus serviços, organismos e pastorais.
O pedido oficial para que o Brasil pudesse sediar esse evento foi feito pela CNBB em maio de 2007 no encontro do Papa com os jovens no Pacaembu, São Paulo. E o anúncio da aceitação foi realizado por Bento XVI no último dia 21 de agosto, por ocasião do encerramento da JMJ em Madri.
Ao longo da história, a Igreja no Brasil tem assumido e efetivado sua opção preferencial pela Juventude. O documento 85, “Evangelização da Juventude – Desafios e Perspectivas Pastorais”, lançado em 2007, e a busca de comunhão das diferentes expressões de juventude no Brasil motivada por este documento são sinais visíveis desse esforço. A recém criada Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude na Assembléia Geral da CNBB deste ano e a aprovação do tema sobre a Juventude para a Campanha da Fraternidade de 2013 revelam, também, este carinho para com os jovens. E agora, com a JMJ acontecendo no Brasil, nossa voz a favor dos jovens se torna mais forte e comprometedora.
Com a festa que a Arquidiocese de São Paulo preparou no dia 18 de setembro passado, a Igreja em nosso país acolheu a Cruz e o ícone da Virgem dando início a esta caminhada no Brasil rumo ao Rio 2013. Estes símbolos percorrerão as nossas dioceses, convidando a todos a intensificar o seu amor para com Jesus Cristo e sua Mãe, e a dar passos mais seguros no processo de opção e evangelização da juventude do Brasil.
A peregrinação destes símbolos já é o início da nossa Jornada Mundial da Juventude! Bem preparada e conduzida esta peregrinação provocará maior encantamento do jovem para com Jesus Cristo, orientações para a sua vida, fortalecimento de sua adesão à Igreja, conscientização de sua responsabilidade missionária na construção de uma sociedade mais de acordo com o projeto de Deus.
As Dioceses e Paróquias, as Pastorais da Juventude e outras Pastorais, as Congregações Religiosas, as Comunidades Eclesiais de Base, os Movimentos e as Novas Comunidades, encontrarão aí ocasião propícia para provocar na Igreja e na Sociedade a opção pelos jovens. É um “momento favorável” de evangelização da juventude proporcionando a ela ocasiões especiais de amadurecimento da sua vida de discípula e missionária do Mestre:
“A crescente participação do Brasil nas Jornadas Mundiais da Juventude nos convida à organização de um caminho que garanta o crescimento da animação dos jovens em vista de sua identidade de discípulos missionários de Jesus Cristo”. (DGAE n. 81 - Doc 94).
Com o ardente desejo de que o Brasil viva este tempo como momento excepcional para a evangelização da Juventude, exortamos e convidamos a todas as forças vivas da Igreja para que o envio missionário “Ide e fazei discípulos a todos os povos” (Mt 28,19) faça eco e seja realidade mais viva e dinâmica na nossa Igreja.
Brasília-DF, 21 de setembro de 2011
P – Nº 0911/11
Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB
Dom Sergio Arthur Braschi
Bispo de Ponta Grossa
Vice-Presidente da CNBB Ad hoc
Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB


Disponível em: www.cnbb.org.br

COMIRE REALIZA ASSEMBLÉIA DE AVALIAÇÃO E PLANEJAMENTO NA DIOCESE DE BACABAL - REGIONAL NE V


“A missão a partir das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil”. Foi com este tema que o Conselho Missionário Regional (Comire) do Maranhão realizou Assembleia de avaliação e planejamento, nos dias 16 a 18, no Centro de Formação Missionária de Bacabal.

O encontro teve a foi assessoria de Martha Bispo e contou com aproximadamente 20 participantes de seis dioceses de Regional Nordeste 5 da CNBB (Maranhão).

De acordo com o bispo diocesano de Bacabal, e responsável pela dimensão missionária do Regional, dom Armando Martin Gutierrez, “ o tema escolhido para o encontro tem muita relevância tendo vista que o 3º Capítulo das DGAE destaca as urgências na ação evangelizadora e aborda também questões como ‘A Igreja em permanente estado de missão”’.
No encerramento da Assembleia houve uma missa de envio presidida pelo bispo de Bacabal.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

11º ROMÁRIA DA TERRA E DAS ÁGUAS: AS DORES DE PIQUIÁ SÃO AS DORES DO MARANHÃO

                                                        
Nos dias 10 e 11 de Setembro aconteceu a 11º Romaria das Terras e das Águas no Distrito de Piquiá, Açailândia.  Piquiá é um dos lugares-símbolo dos impactos da cadeia de mineração e siderurgia do Programa Grande Carajás. A 11ª Romaria de Terra e das Águas do Maranhão mostrou as diversas situações de agressão, de sofrimento e de destruição pelos quais passam o ambiente e a população deste nosso Maranhão. A realidade de dor que nós, romeiros e romeiras constatamos em Piquiá, nos fez lembrar outras situações vividas pelo Estado a fora. Portanto, as dores de Piquiá são reflexo das dores de todo o Maranhão que aqui queremos destacar algumas.
1º DOR: PLATAÇÃO DE EUCALIPITOS
 Antes mesmo de nós romeiros e romeiras chegarmos no Distrito de Piquiá no deparamos diante de uma dura realidade ao longo das margens da Estrada de  Ferro Carajás, além das pastagens há varias plantações de eucalipto. Plantado em milhares de hectares pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). Muitos destes eucaliptos são transformados em carvão vegetal é usado para aquecer os altos-fornos siderúrgicos que transformam o minério de ferro em ferro-gusa.
Além de contribuir para a poluição do ar, o eucalipto prejudica muito o solo e os lençóis freáticos. Tudo porque o eucalipto se adapta muito bem nas regiões semi-áridas e é muito resistente a secas devido à sua capacidade de procurar água a dezenas de metros com suas raízes profundas, que acabam secando os lençóis freáticos.  Suas folhas são dificilmente biodegradáveis e mesmo depois de sua decomposição o húmus resultante não é favorável para o aproveitamento de outras árvores.

2º DOR: A POLUÍÇÃO: trabalho sim, mas sem poluição!
Os moradores da comunidade de Piquiá de Baixo, sofrem com a poluição causada pelas carvoarias e usinas siderúrgicas de ferro-gusa que operam a poucos metros de suas casas.
A poluição do ar é tão grande que apesar da Romaria acontecer nas primeiras horas de um dia de Domingo, nós romeiros tivemos uma certa dificuldade de respirar. Imagine quem mora naquela comunidade em que se pode olhar o próprio ar que respira.
Diante desta situação o certo seria as siderúrgicas adotarem mecanismos efetivos para reduzir a emissão de fuligem. Mas isto é difícil e ainda mais que as próprias empresas apostam na frouxidão da fiscalização do Estado.
No final da Romaria o presidente da Associação de Moradores de Piquiá de Baixo mostrava aos Bispos meio saco cheio de fuligem que tinha ajuntado dos bancos e mesas das casas na comunidade, imagina o dano que isto faz e já fez aqueles que estão respirando diariamente aquele ar.

  DOR: A TRANSFERÊNCIA DO POVOADO PIQUIÁ DE BAIXO
         Na Romaria foi lembrado que nos últimos três anos, a associação de moradores local, o Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos e a Paróquia São João Batista de Açailândia estão organizando a resistência e a propostas alternativas.
De uma forma que em 2009, o Ministério Público Estadual compôs uma equipe multidisciplinar para definir as condições de um deslocamento do povoado para uma área digna, próspera e saudável.
A solução proposta de transferência de cerca de mais de 300 famílias de Piquiá de baixo vem sendo negociada aos trancos e barrancos, com omissões do Ministério Público de Açailândia que procura atender interesses de alguns setores locais.
No entanto, é importante dizer que as entidades e a associação de moradores de Piquiá não estão contra o desenvolvimento e a geração de emprego e renda. Acreditam, porém que isso deve e pode acontecer com respeito à saúde e à dignidade do povo, bem como com a preservação do meio ambiente, até hoje saqueado sem controle e que nós romeiros vimos a olho nu.

4º DOR: OS DIREITOS HUMANOS
Em maio deste ano a Federação Internacional de Direitos Humanos e de Justiça Global, publicou o relatório intitulado:  “Quanto Valem os Direitos Humanos? – Os impactos sobre os direitos humanos da indústria mineira e siderúrgica em Açailândia”. Em que analisa os impactos da mineração e da siderurgia na saúde e no meio ambiente das comunidades estudadas, e por outro lado esquece os projetos de desenvolvimento deste tipo.
As conclusões do relatório destacam as dificuldades no acesso a informações sobre estudos de impacto ambiental, as dificuldades de obtenção de reparação judicial, bem como o assédio moral e judicial enfrentados pelos defensores dos direitos humanos que denunciam os impactos negativos ligados às atividades da Vale. 
O relatório também cobra da Vale e de seus parceiros comerciais ações imediatas de reparação às comunidades, e até mesmo o reassentamento de Piquiá de Baixo.
E AGORA A ROMÁRIA ACABOU?

De forma alguma! Pois o que nós romeiros e romeiras vimos em Piquiá com os nossos próprios olhos: a poluição do ar, as enormes áreas plantadas com eucaliptos, a exploração do trabalho de operários descartáveis quando a empresa os consideram supérfluos e a expulsão forçada de moradores antigos e atingidos pela poluição, não são apenas dores do Distrito de Piquiá, mas de todo o Maranhão, pois não são fatos restritos aquela comunidade, mas um verme que se espalhou por todo o nosso estado.
Podemos nos lembrar das plantações de soja que expropriam quilombolas e lavradores de suas plantações, ou das madeireiras que acabam com as matas nas quais vivem as populações mais antigas como os indígenas.
         Mais no meio de tantas dores há alternativas, pois sabemos que é possível reconstruir uma nova sociedade e que é possível produzir alimentos sem uso de venenos, e que o desenvolvimento econômico não nega o desenvolvimento humano.
         Tudo isto é possível, pois Deus está conosco. Portanto, todos os excluídos do Maranhão: os indígenas, quilombolas, trabalhadores rurais e operários da cidade e favelados vamos nos unir à exemplo do povo de Deus no êxodo que à procura de uma “Terra melhor” clamou a Deus e Este veio a seu socorro, pois o êxodo existiu, existe e existirá enquanto houver excluídos e estes gritarem a Deus.
A luta continua e muito axé a todos!
Elinaldo Nunes Botelho
                                                        Seminarista da Diocese de Zé Doca-Ma